Arquivo de setembro \18\UTC 2016

Let me see how much I can breath

Eu não sei em que ponto minha vida começou a ficar dessa forma. Mas desde março ela rodopiou muito. A princípio eu não estava bem desde o ano passado, esse ano piorou, fiquei sem esperança, frustrada e achando que minha vida não vai melhorar nunca. Afinal, são anos dedicada a fazer dar certo e as coisas não dão.  Eu estava (ou ainda estou, não sei mais dizer) naquela que gostaria de um spoiler da minha vida do que aconteceria em dez anos, porque senão eu parava de ver essa temporada por aqui.

É aí que entra o tratamento, porque estar preso dentro da sua cabeça as vezes se torna intolerável. Bastante intolerável. E eu sou bastante cruel comigo. Descobri terminologias novas, medicamentos anticonvulsivos e outras classes que pensei que jamais conheceria, até criei um negócio chamado empatia. Fui 800 pessoas em um espaço curtíssimo de tempo. Seis meses passados, eu me sinto melhor. Um pouco desmemoriada (ou muito?) o que é relativamente bom porque esqueço de me massacrar diariamente, mais paciente, menos explosiva e finalmente com meu humor e a ansiedade controlados.

Nem tudo são flores, continuo me perguntando para quê eu estou existindo e não vendo sentido em nada – minha vida parece com aquele cara lavando o carro na chuva. Mas também não quero desistir. O buraco dentro do peito ainda está aberto e eu não sei mais o que fazer para tampa-lo. Ele dói. Dói muito. As vezes me acordava a noite e eu não sei o que fazer com ele. Já tentei alimentar de tudo que dá para imaginar – mas ele não preenche. Não estou triste – e nem dá para ficar – mas ele está aqui, aberto e doendo.

Talvez seja fruto das escolhas mal sucedidas. Da ansiedade camuflada pelo tratamento. Eu honestamente não sei.

Hoje ele está bem aberto, estilo chaga.

Eu só queria que ele fechasse, e devolvesse minha vida normal de volta.

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