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Let me see how much I can breath

Eu não sei em que ponto minha vida começou a ficar dessa forma. Mas desde março ela rodopiou muito. A princípio eu não estava bem desde o ano passado, esse ano piorou, fiquei sem esperança, frustrada e achando que minha vida não vai melhorar nunca. Afinal, são anos dedicada a fazer dar certo e as coisas não dão.  Eu estava (ou ainda estou, não sei mais dizer) naquela que gostaria de um spoiler da minha vida do que aconteceria em dez anos, porque senão eu parava de ver essa temporada por aqui.

É aí que entra o tratamento, porque estar preso dentro da sua cabeça as vezes se torna intolerável. Bastante intolerável. E eu sou bastante cruel comigo. Descobri terminologias novas, medicamentos anticonvulsivos e outras classes que pensei que jamais conheceria, até criei um negócio chamado empatia. Fui 800 pessoas em um espaço curtíssimo de tempo. Seis meses passados, eu me sinto melhor. Um pouco desmemoriada (ou muito?) o que é relativamente bom porque esqueço de me massacrar diariamente, mais paciente, menos explosiva e finalmente com meu humor e a ansiedade controlados.

Nem tudo são flores, continuo me perguntando para quê eu estou existindo e não vendo sentido em nada – minha vida parece com aquele cara lavando o carro na chuva. Mas também não quero desistir. O buraco dentro do peito ainda está aberto e eu não sei mais o que fazer para tampa-lo. Ele dói. Dói muito. As vezes me acordava a noite e eu não sei o que fazer com ele. Já tentei alimentar de tudo que dá para imaginar – mas ele não preenche. Não estou triste – e nem dá para ficar – mas ele está aqui, aberto e doendo.

Talvez seja fruto das escolhas mal sucedidas. Da ansiedade camuflada pelo tratamento. Eu honestamente não sei.

Hoje ele está bem aberto, estilo chaga.

Eu só queria que ele fechasse, e devolvesse minha vida normal de volta.

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Keep Breathing

Muita coisa mudou desde maio. Desde março na verdade. Como me disse uma amiga distante mas querida, “Desde que Saturno ficou retrógrado” e eu de acordo com ela, como sou de Capricórnio, ando com a energia vital baixa fui pega de mal jeito, mas parece que o tal do saturno saiu lá do movimento estranho dele e vai deixar me deixar com um tratamento pela frente.

Não acredito em uma só palavra do que minha amiga disse, mas eu não tinha depressão. Mas ela acertou dentro da etereadade dela, o tratamento será longo. No inicio neguei, depois foi meio que um alívio, entendi muitas coisas, e vi a razão de muitas outras.

Eu estou bem – caminhando e me mantendo respirando.

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Depressão, você tem? Eu tenho.

Há muitos anos, passo campus universitário e vejo o pessoal da saúde dizendo que devemos conversar sobre saúde mental. Ignoro sumariamente. Primeiro porque sou da engenharia e se não tenho argumentos não vou atrapalhar. Segundo, nunca me interessou.
Há muitos anos também eu me arrasto com um vazio num peito e uma ansiedade que me consome, basta você recapitular nesse blog. E eu já fiz de tudo que você pode imaginar – além de ser diagnosticada com tudo que você pode imaginar. Minha ansiedade me engole diariamente e parece que mastiga, como se não bastasse, minha cabeça cria uma realidade cruel na qual eu vivo e sinto cada coisa que ela cria, quando eu conto às pessoas ela me chamam de dramática, mas aquilo para mim é tão real quanto o prato de arroz e feijão do almoço. Por mais que eu me esforce em não ver o mundo sobre esse ótica é única que existe na minha cabeça, para fugir dela, eu crio ótica com a visão dos outros e vou vivendo assim, estava dando certo até então.
Mas voltando ao caso da ansiedade e do eterno desânimo, nunca achei que fosse depressão na real. Porque sabe, sempre achei que depressão fosse aquela pessoa que não quer nem se arrumar para sair de casa, o que não acontece comigo. Eu estou sempre arrumada, maquiada e procurando algo novo. Converso com as pessoas.
Quando terminei o mestrado as dores no estômago e as noites insones e perturbadoras pioraram. Muito. Descobri que estava com uma úlcera nervosa. Sinal vermelho para estresse. Normal para quem termina uma defesa eletrizante na área de exatas como a minha, perde o concurso dos sonhos e está frustrada com a vida – opa! Luize, você precisa de ajuda.
Não, eu não preciso.
Fiz Ioga.
Corro 21km.
Não bebo.
Durmo 8 horas por dia.
Atividade físicas todos os dias e alimentação equilibrada
Estou dentro do meu peso.
Faço análise.
ESTÁ TUDO BEM.
*pausa dramática porque NÃO está NADA bem!*
Voltamos a primeira frase desse texto: “Precisamos conversar sobre saúde mental”. Procurei um psiquiatra quando dei chilique no meio de uma audiência no fórum. Ele me pediu uma bateria de exames que nenhum outro médico havia me pedido, entre eles uns nomes engraçados: cortisol, adrenalina, serotonina… e pediu que fizesse todos depois de descansada. Quando peguei os resultados, todos os valores de referência estavam 10 vezes alterados.
Voltei ao médico e saí de lá com 5 remédios controlados e descontroladamente chorando. A tal da fase de negação né. “Não sou louca”. Relutei a tomar os remédios. Porque né, conheço vários amigos que estão super bem, fumavam 3 maços de cigarro por dia foram meditar e hoje nem carne mais comem, por que eu, vou ser mais uma da prozac nation? Então, depois de muita conversa, a ficha me caiu. Eu estou doente. Tal qual quando tenho uma pneumonia. Pneumonia não se trata só correndo ou ficando de cabeça para baixo ou tomando matinhos. Eu preciso de remédios. Senão só piora. Meu corpo não se conserta sozinho. Ali estava claro, eu estava doente, os valores eram muito maiores que o de referência.
Na primeira semana eu fui 200 Luizes diferentes, mandei várias pessoas a merda, chorei 5 vezes na frente do meu chefe, dormi 3x no ônibus e não posso dirigir. Esqueci 4x como se fazia o cálculo da força momento numa viga, a bebida que mais gosto no mundo – Coca-Cola zero! – está intragável! E eu não tenho fôlego para ir na cozinha beber água. Essa noite pela primeira vez em 15 anos eu não pensei como seria bom não acordar mais e dar um silêncio no eco do meu peito. Essa noite eu nem pensei, eu fiz como era quando criança: dei boa noite a mamãe e papai, olhei para cama, puxei o coberto até o peito, esquentei meu coração e dormi – muito bem, sem vazio, obrigada!

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Selvagem

No meu último post aqui eu escrevia sobre o medo do futuro. O medo das coisas não darem certo. Sabe, na verdade, eu sou muito medrosa – apesar de acreditar que todos nós temos medo do que desconhecemos, por não saber lidar com isso – tenho medo do que pode vir, tenho medo do que não virá. E o futuro? Nunca consegui levar aquela máxima de “À Deus pertence”. Gosto das variáveis sob controle, além de gostar de ter ver seus limites de variabilidade terem começo e fim.

Acredito que eu não vá mais escrever nesse blog, ou vou, não sei. Sei que 11 meses desde o último post, não me torna a pessoa mais assídua, mas eu gostaria de escrever um pouco sobre o que 2015 tornou-se para mim – ele me fez encarar um dos meus medos pela primeira vez.

Esse ano eu terminei a dissertação de mestrado, achei de verdade que não iria conseguir. Sempre me achei uma farsa, estava no mestrado por caridade e não porque de fato eu merecia estar ali – mesmo que todos os dias eu repetisse a mim mesma que eu era foda. Sofri com a famosa síndrome do impostor – a vida inteira.

Então rolou a oportunidade de algo que era meu maior sonho de vida (tirando o inatingível é claro, que é a Petrobras), ou pelo menos aquilo ao qual me preparei nos últimos anos: O concurso para professor de uma universidade federal da minha cidade. Não era para cargo efetivo, mas é assim que se começa. Na minha área, pesquisa operacional.

Eu agarrei aquilo como se a minha vida dependesse daquele concurso, e na verdade, ela dependia. Não naquele momento, mas nos próximos. Durante a prova eu fiquei em 2º lugar, ouvi da banca que a minha aula didática não era tão boa. Foi aí que minha síndrome do impostor bateu mais forte ainda. Era a certeza que o que eu mais queria não era para mim. Eu era uma fraude. Naquela noite eu chorei muito, fiquei com os olhos inchados por três dias. No quinto dia, a universidade me ligou, dizendo que precisavam de mim. Eu fui. Assim começa o primeiro dia do resto de minha vida.

Foi um mês inteiro de preparação até o contrato ser assinado. Eu não era uma farsa, eles precisavam de mim, alguém enfim, precisava de mim. Vou resumir a história porque ainda vem mais coisa aí: eu declarei que era funcionária publica, administrativa e não pude acumular o cargo. Não pude pedir vacância por não ser efetivo na universidade, e me exonerar para algo provisório não rolou. Eu fiz o que pude. Não deu. Fiquei de cara com meu maior perder: meu sonho não deu certo.

Era para dar! Eu fiz tudo certo! Eu perdi noites a fio de sono, eu estudei coisas que odeio, eu perdi meus festivais favoritos, deixei de olhar as estrelas, engordei e tive gastrite – para no final perder o inicio do meu sonho, porque eu fui honesta. Honesta em um país onde o que eu mais vejo é desonestidade.

No meu do caos turbulento de tudo eis que me acontece até o presente momento uma das melhores coisas da minha vida: enxerguei quem eu era e quem estava ao meu redor. Muitas pessoas vieram falar comigo, algumas delas sem muita intimidade, as quais me diziam que estavam sentidas por não ter acontecido. Outras torciam muito. Eu, que tanto olho nos olhos dos outros via que eram sinceros.

Não deu. Não consegui. Eu fui honesta. Fracassei por ser honesta.

Querida, você não fracassou. O mundo precisa de gente honesta. A engenharia precisa de honestidade. Faz parte da sua profissão, nesse quesito, nesse momento você se mostrou uma engenheira de verdade.

Professor, eu consegui, mas não consegui.

Eu sabia que você conseguiria.

O senhor não me acha uma fraude?

Não, eu acho que você agarra tudo que faz e mostra com seu trabalho o quanto é boa. Eu me orgulho de você.

E eu que tenho tantos problemas antigos e arcaicos com meus pais, finalmente resolvi. Quando contei vi que eles estavam orgulhosos por eu ter conseguido passar, vi o quanto torceram para que desse certo e me apoiaram nas decisões de largar ou não meu emprego. Na verdade, eu vi o que minhas escamas me impediam de ver: eles sempre me amaram.

Eu precisava desse emprego por mim, pelo meu sonho. Eu não consegui. Mas eu ganhei muito mais ao perder: eu descobri quem eu sou. Deixo meu aprendizado aqui, para lembrar de quando os dias voltarem a ficar pesados.

As vezes aquilo que você mais quer, não vem. Então o que aparece é a sensação de derrota, fracasso e impotência. Eis, que no turbilhão de sentimentos que abatem o sujeito, Deus, na sua imensa gentileza, presenteia com pessoas maravilhosas, com palavras de conforto e dá de presente aquilo que você mais precisava ouvir. Aquilo que você mais queria não era aquilo que você precisava, mas o que você precisava veio da ausência do que mais queria.

Minha trilha foi perder esse pedacinho de sonho para descobrir meu caráter, minha resiliência e quem eu sou. Eu tenho muita certeza da fibra que eu sou feita.

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E quem sou eu?

Hoje eu escrevia mais um trecho do artigo que nunca acaba para o mestrado. Faz parte de um trecho da minha dissertação, e eu estou desde outubro escrevendo, o prazo escorre entre os dedos. Consegui avançar bem. Durante as pesquisas, eu me deparei com um artigo de um colega de profissão que conheci em um importante congresso em agosto passado. Fiquei curiosa de saber se ele já estava no doutorado e entrei no seu Lattes (eu ando vasculhando mais o lattes do que o facebook, para você ver…) e vi que além do mestrado ele havia feito uma extensão no MIT, que coordenava um importante grupo de transporte…e ele tem a minha idade.

E o que eu fiz? Essa pergunta ando me fazendo…estou na beira dos 26 anos e mais perdida do que aos 18. Não acumulei nada, além de roupas. Não consegui ainda concluir o mestrado e estou ficando preocupada e não conseguir. Se eu não conseguir o que será de mim? Frustrada com minha ilustre profissáo que não serviu para nada, além de ter me feito perder 5 anos preciosos da minha vida.

Nunca o futuro me asustou tanto…

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Pai moderno

Sentamos em uma famosa hamburgeria carioca: eu, meu pai e meu irmãozinho de 12 anos. Fizemos o pedido e com cinco minutos eu já estava ansiosa pela comida.

– Pai, o que a gente faz para amenizar a espera da comida? – eu digo quebrando o silêncio, tirando a atenção de papai do telefone.

– Fica tuitando. – Respondeu ele sem tirar os olhos do aparelho

Não se fazem mais meia idade como antigamente, eles não conseguem largar o twitter!

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Vida de Expatriada: Montreal

Hoje, aqui na minha casa no Brasil, eu acordei com barulho de dois tiros. É um sábado e eram oito horas da manhã.

Levantei como todo dia, tomei meu café preto, só pensando que quando em Montreal eu seria acordada por tiros. Será que se fossem eles acordariam e continuariam suas vidas como se fosse uma coisa normal e cotidiana? Será que eles sabem o que é um tiro em uma grande cidade?

 

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