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Londres em um dia.

Vista de cima do London EyeLondres sempre me fascinou. Criada com a excelente trilha sonora dos Beatles e loucamente apaixonada pelo álbum Abbey Road, Londres me pairava a cabeça – e a possibilidade de sentir toda a vibração de atravessar a famosa faixa então, nem se fala!
O Reino Unido sempre esteve nos destinos dos quais queria ir, primeiro porque eu nunca tinha ido a um reino, é aquela parada com rainha, súditos e essas coisas, depois eu fiz parte de uma turma que gosta de Queen, The Beatles e Rolling Stones, e essa galera, súditos da rainha e levantaram aquela bandeira que eu tenho estampada em várias blusas compradas aqui, no Brasil.
Troca da Guarda Esse ano durante uma gloriosa – e planejadíssima! – viagem, rolou de dar um pulinho para realizar meu sonho: atravessar a Abbey Road cantando “Here comes the Sun”. E eis que você veio aqui e glooglou “Londres em um dia” vou te passar minha experiência.
Tudo começou no Brasil, estava lá pesquisando o que se fazer na Europa, lugares para conhecer, apesar dos poucos dias que ficaria, e eis que descubro que a NW8 não estava tão longe dos meus sonhos quanto eu imaginava. Para começar eu entrei no site da Eurostar, visto que eu ia sair de Paris para Londres. A passagem de ida + volta me custaram 88 euros na cabine econômica. De avião ficaria até mais barato, mas tinha o inconveniente de esperar três horas em aeroporto, fora que ambos os aeroportos ficam longe do centro, ou seja, gastaria com transporte o que acabou compensando minha ida no trem bala – além do mais é o treeeeem bala po!
Paris é uma história a parte que pretendo contar um dia e eu saí de lá. Parti frenética para a Gare Du Nord de onde sai os trens balas, meu horário era 6:43 sem atrasos! O legal que meu deslocamento até a Gare Du Nord foi de metrô desci lá subi as escada rolantes e pá pou: parecia um aeroporto com vários destinos legais. Passei pelo trâmite aduaneiro, e peguei meu trenzinho para enfim atravessar a faixa. Exatamente 2:15 depois eu desembocava em Londres.
O tal do BigBen e a plaquinha do UndergroundO trem: balança, faz barulho e a paisagem passa muito rápido, do tipo, “Olha lá o moinho…ih passou”. O ponto alto é a travessia no mar, aonde ele vai parando de vagarinho e entrando pelo túnel, 30 minutos de breu até se ver o território britânico. É legal que já dá para notar que não se está mais na França, as construções de tijolinho aparente já deixam claro que estou em algum lugar da Inglaterra. Desci na King`s Cross (Harry Potter feelings) com o relógio uma hora adiantado, catei um folhetinho que eles dão do Underground (metrô minha gente!), mas caso você queira sair prevenido do Brasil você pode baixá-lo aqui.
Abbey RoadO pulo do gato: Desci na King’s Cross, interligada ao Underground, fui a um guichê automático e pedi meu bilhete de um dia (one-day travelcard) nas zonas 1 e 2. Lembrando que o metrô de Londres é um dos mais caros que vi, cada viagem custava em algo de 4 libras, o tal bilhete de um dia me dava acesso aos ônibus urbanos de 2 andares e metrô quantas vezes quisesse, desde que nessas zonas (que por sinal, é onde estão os principais atrativos turísticos), e o melhor pela bagatela de 8 libras. Coloquei meu cartão de crédito e já saiu meu bilhetinho. Alegria é pouco minha gente!
Cartão de crédito e Visa Travel Money foram o meus melhores amigos na minha empreitada Londres em um dia, não valeu a pena trocar euros por libras, afinal nem estadia eu teria, troquei apenas 20 euros por 18 libras quando quis comprar uns imãs de geladeira. Ah, sim eles não recebem euros.
Agora vamos ao que interessa: eu tinha um dia e queria ver os principais atrativos turísticos, o underground virou meu segundo melhor amigo. Vamos ao meu roteiro – que foi feito com a ajuda desse blog aqui. Ahh, as estações que peguei no Underground estão entre parênteses.
Ruma a plataforma nove e três quartos!Me piruetei para o miolinho de Westminster (Westminster Station), desci – e subi hehehe – e já estava de cara com nada mais nada menos do que a Casa do Parlamento e a Clock Tower (o tal do BigBen). Dali meu amigo, parte a pé porque atravessando a ponte sobre o rio Tâmisa você já ta na London Eye – que foi o que fiz em seguida.
London Eye valeu cada centavo das minhas 18 libras, meia hora girando e você tem a vista completa de Londres. Maneiríssimo entrar nela em movimento. Dali parti a pé até a abadia de Westminster, onde tive que comprar uma blusa de frio na Zara, porque a temperatura não passava dos 12°C. Próxima parada foi o underground ir para o Buckingham Palace (St. James), onde vi exatamente as 11:30 a troca da guarda (era Julho, portanto verão), achei bem cansativo e não esperei para ver tudo, parti em busca dos meus outros pontos que era a Tower Bridge (London Bridge Station) – que você tem que andar um pouquinho, para chegar nela – e depois freneticamente para a estação St John’n Wood Station que é a estação mais próxima da Abbey Road.
Então, subindo a estação você tem que andar um pouquinho, coisa de 5 minutos até chegar a Abbey Road, eu peguei um mapinha em uma lojinha que vendia coisas dos Beatles. Aquelas casas com tijolinhos aparente, o tempo frio e nublado, pronto eu estava em Londres! Logo adiante num amontoado de gente, era a faixa da Abbey Road. Fiz essa viagem sozinha, tive que pedir a desconhecidos para bater a foto, portanto não saiu da forma que queria, mas isso não importa, importa que eu vi com meus olhos a faixa e mais adiante dela o estúdio onde os Beatles gravaram várias faixas (post sem redundância, não é meu!).
Não importa o quanto você gosta de música, mas é imperdível sentir a vibração e energia daquele lugar, eu mesma comecei abri a cara chorando – “Poxa, cheguei aqui, é verdade!!!”.
Naquele momento o que eu visse em Londres era lucro. Peguei um ônibus de dois andares com destino a Marble Arch, nesse caminho passei pela Baker Street onde desci para comer algum lanche rápido, ali peguei o underground, desci na estação de Marble Arch, bati algumas fotos e fui passear na Oxford Street (leia-se fui comprar alguma outra blusa de frio).
Tudo hiper rapidinho, já estava se aproximando das 16 horas. Parti para a tal da Piccadily Circus onde tem os tais painéis luminosos. Mas não sei se porque era de dia, ou se eu imaginava encontrar uma Times Square, mas achei assim, um tanto sem graça. Andei pelos redores, peguei o underground com destino a King’s Cross para enfim, terminar meu dia em Paris, meu trem saía as 19:02 (esse horários quebrados me tiravam boas gargalhadas).
Durante meus trajetos qualquer um que passava na rua virava meu fotógrafo e fui muito bem recepcionada, para tal um sorrisão estampado no rosto e um pedido em inglês. Conversei com pessoas comuns no underground e quando falava que era brasileira três delas me perguntaram se eu falava espanhol e se Buenos Aires era linda mesmo – após eu dizer que era natural do Rio de Janeiro.
Ok, não vi nenhum museu e acho sim que perdi muito, mas dentro da minha principal proposta que era ir na Abbey Road acho que consegui fazer bastante. Lógico que quero conhecer muita coisa que não pude ir por se tratar de um único dia, mas a experiência foi super válida.
Fim da minha viagem de trem bala, desci na Gare Du Nord às 23 horas de Paris. Na mochila tinha cartões postais, uma caneca de porcelana, algumas roupas e as melhores lembranças que concretizei um sonho na viagem mais rápida que fiz na minha vida;

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O meu cabelo

Nessa vida meu cabelo já passou uns maus bocados incríveis.
Quando eu tinha uns 11, 12 anos, estava na moda a criançada ter um cabelo chocante, sabe como é, impressionar e chocar o mundo adulto e tal, mas eu sempre fui cagona para enfrentar papai e mamãe, além do mais, ainda tinha que ser aceita pelo grupinho do colégio – onde eu era estranha, gorda, orelhuda e pobre. E agora, COMOFAS? Me joguei naqueles sprays horrorosos – ainda vende? *-* – e fiquei com o cabelo rosa, roxo e etc… Não gostei, jogava a juba na água e estava tudo resolvido.
Mais velha e ainda necessitando da tal auto-afirmação, aos 17 resolvi pintar. Precisava ser algo para destacar a pele, mostrar que sou roqueira e ainda estar linda. Lá foi Luize se jogar nos vermelhos vibrantes. Primeiro para não me chocar e não chocar a sociedade abri mechas abóboras antes de me tornar um cone ambulante. O problema é que a cabeleleira se vingou do meu ilustre cabelinho e fez uma bosta de mechas desconexas. Nunca a perdoei. Depois me joguei nos abóboras e vermelhos extintor-de-incêndio com bastante descolorante para pegar, se houvesse água oxigenada 60vl eu estava usando. Uma maravilha moderna! Para completar o visual malvadona, ainda coloquei alargadores e furei mais alguns furos nas orelhas. Estava quase me sentindo Elvira a Rainha das trevas, quando entrei no mercado de trabalho. Entrei como nível técnico em uma empresa de renome e estar com os cabelos vermelhos e alargadores, poderiam não ser uma boa idéia.
Passei a cor que eu achava que era meu cabelo, castanho escuro. Ficou preto. Preto henê, sabe? Parecia que eu tinha alisado e espichado o pobre, quando o mesmo era liso. O bom dessa fase é que eu nunca mais me preocupei com o cabelo, o ritual de limpeza dele era o de sempre como quando era virgem, e ainda tinha mais uma vantagem, ao invés de lavá-los todos os dias (meu cabelo virgem é um poço de óleo), eu lavava de dois em dois! Então fui largando o cabelo crescer. Meu cabelo naturalmente é um castanho claro acinzentado se existisse, algo como 5.1, e começou a ficar em três cores, a natural na raiz, preto desbotado e um vermelho vibrante na ponta. Lindo. Finalmente quando cortei ficou virgem por igual e eu ganhei ares mais maduros. Foi uma época interessante, estava com uma boa posição no trabalho, elegante e bem mais velha. Esse foi o maior problema da minha juba, me envelheceram uns dez anos!
Certo dia no trabalho um colega estava tomando café comigo quando disparou:

– É Luize, nós, que já chagamos aos trinta temos que nós deparar com esse tipo de problema.

PERAE. Nós quem, cara-pálida?

– Quantos anos você acha que eu tenho?
– Uns vinte e nove, trinta. Você é de 80, né? Então você está fazendo 30.

Meu mundo acabou. Eu tinha 21 anos recém-feitos. Quando contei isso ao meu colega ele ficou azul de vergonha (e insistiu para mostrar minha identidade. Sensibilidade a gente se vê por aqui!). Foi então que passei a mais radical das transformações: fiz luzes. Não só luzes, mas balaiagens, reflexos e tudo mais que um descolorante azul pode fazer com você. Afinal mulher não envelhece, fica loira, mas, isso é caro. E eu sou pobre.
Mas a gente é pobre com o cabelo bonito. Resolvi fazer em casa, queria reflexos branquinhos. Resultado, perdi uma mecha significativa de cabelo deixando o descolorante por mais de 40 minutos em uma parte já descolorida.
Triste Fim de Policarpo Quaresma (Já leu esse livro? Não?! Larga esse computador e vai ler, rapá), caiu uma mecha do meu cabelo e ainda tive que queratinar o bichinho todo.
Mas eu sou brasileira e que faz jus a sua origem lusa – mal aí mãe! – não desisti e continuei aplicando descolorantes cavalares, hoje eu detenho uma juba loira que consome uma boa parte do meu pagamento, em tons que variam entre o loiro claro ao platinado. A raiz é descolorida, arde, dói, machuca, fede mas é gostoso.
Demorou um bom tempo até que eu ficasse loira discípula de Lady Gaga, mas consegui.
Enfim, deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz – ops, quer dizer, o cabelo.

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