Pai moderno

Sentamos em uma famosa hamburgeria carioca: eu, meu pai e meu irmãozinho de 12 anos. Fizemos o pedido e com cinco minutos eu já estava ansiosa pela comida.

– Pai, o que a gente faz para amenizar a espera da comida? – eu digo quebrando o silêncio, tirando a atenção de papai do telefone.

– Fica tuitando. – Respondeu ele sem tirar os olhos do aparelho

Não se fazem mais meia idade como antigamente, eles não conseguem largar o twitter!

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Vida de Expatriada: Montreal

Hoje, aqui na minha casa no Brasil, eu acordei com barulho de dois tiros. É um sábado e eram oito horas da manhã.

Levantei como todo dia, tomei meu café preto, só pensando que quando em Montreal eu seria acordada por tiros. Será que se fossem eles acordariam e continuariam suas vidas como se fosse uma coisa normal e cotidiana? Será que eles sabem o que é um tiro em uma grande cidade?

 

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Internet Old School

– DESLIGA ESTA M$%^^& QUE EU QUERO LIGAR PARA SUA AVÓÓÓÓÓ!!!
(Quem nunca, gente? Opa, quem com mais de 25, nunca?)

Sempre achei que a internet fosse o meu gueto. Minha área, e aqui eu me entendo, mesmo quando eu me virava para conectar em um Petium 133ghz, com hd de 1GB (!). Conectava feliz depois da meia noite – acho que as olheiras são nutridas deste tempo pavoroso – e os fins de semana ninguém podia ligar: eu estava “nas interneds”.
Sou da vanguarda: usei mIRC, fui OP de canais importantes da roça (lágrimas das inimigas da época me banhavam), fiz amigos virtuais que se tornaram amigos reais, e fui uma semi-webcelebridade (oi?!). MSN é coisa de gente nova, meu negócio era o ICQ – aliás, eu acho que não sei o número do telefone de casa, mas lembro do meu ICQ. Orkut? Negócio era Lual do #Macae onde a gente conhecia todo mundo.

Na era onde blog era um diário, e a coisa toda tinha sentido, eu era famosa. Já fui reconhecida em shopping e na escola era meu nick que bombava. Existiam duas realidades, onde a Luize era eu no meu dia a dia penando com a escola técnica e NeO_GirL que gerenciava sites, era blogueira e conhecia todo mundo da nuvem. Para você ver, caro leitor nascido na década de 90, quando eu fiz 15 anos, a moda era todo mundo ir para Disney e endividar os pais pela década seguinte, eu quis uma câmera digital (3.2 MP, top, capa de revista!) e um PC.

Só que a nuvem cresceu, os esmaltes ficaram mais importantes que o conteúdo das pessoas e eu comecei a me relacionar sério, trabalhar e fazer faculdade, não tinha tempo para respirar, o que dirá comentar em blogs alheios e conversar com os outros. Assim morreu o toxicide.org.
Na era que domínio próprio era coisas de poucos, ostentação era ter um .com.br, e até hoje sinto saudades do falecido toxicity.com.br/neo.
A internet me trouxe minha primeira profissão – iludida tadinha, achei que ia virar webmaster pica das galáxias, mas virei mesmo programadora, por quatro infinitos anos, antes da faculdade – me trouxe pessoas próximas, me permitiu conhecer shows bacanas e gente que depois de 10 anos ainda continuamos nos falando e nos esbarrando. Posso dizer que sem a internet eu continuaria sendo a gordinha tímida e nenhum um pouco popular e não teria vivido uma das melhores épocas da minha vida.
Sinto falta dessa época, é claro. Foi ali que tudo começou, mas a vida é isso e somos todos pokemons temos que evoluir ❤ e as coisas mudam – ainda bem, né?

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Carta aberta aos pais

Eu tenho 25 anos e ainda não tenho filhos. Sei que no fundo, eu não tenho moral alguma para dar conselho a ninguém que já tenha passado pela experiência, mas como filha “crescida”, acho que poderia pelo menos sugerir algumas coisas que nos dizem respeito.

A vida é corrida, existe o estresse do trabalho, trânsito, calor, pessoas mal-intencionadas, casa para cuidar/sustentar e ainda existem os filhos, que vem com aquele monte de assunto bobo para tratar. É o coleguinha que roubou o lápis. É o agasalho que esqueceu na escola. Mais uma coisa para perturbar. Muitas vezes é melhor fazer ouvido de surdo para não escutar. Porém, se eu puder dar um conselho primordial é: escute seus filhos.

Ignore e faça um filtro nas bobagens cotidianas, mas pergunte como foi seu dia, como se sentiu naquele dia. Não adianta falar a cada dez minutos que ama o filho, que faz das tripas coração para sustentá-lo se com os detalhes mais simples não se preocupa. Amor não é falar, pagar, dar de si o melhor; amor é conhecer o outro, é saber respeitar sua individualidade, espaço. Não somos seres inanimados: temos sentimento. E isso é muito sério.

Cada dia que passa eu tenho visto que menos a gente conhece quem a gente ama, e vejo isso na relação de pais e filhos. Ficam tão preocupados em encontrar uma ogiva nuclear no quarto do indivíduo que não sabem que a ogiva está apontada dentro da cabeça dele.

A relação de diálogo que costuma ser problemática na adolescência, nem sempre é dos filhos para os pais, e sim ao contrário. O “não” é fundamental para ser o freio, mas o porquê também deveria vir junto. Repressão, “tá errado”, opressão, não são fatores existentes na amarra de uma cadeira ou castigo, elas existem dentro da cabeça de cada um.

Pense em quem seu filho confia, em você ou em amigos? Pense se você o conhece ou se ele é mais um estranho presente na sua vida. Pergunte o que ele faz e REALMENTE se interesse por aquilo. Quando digo realmente não é dizer: “Ah meu filho é médico-cardiologista, mas se especializou em SUS, porque ele faz as coisas para coisa pública” quando na verdade ele só está no SUS para concluir o curso. Entenda. Faça perguntas sobre isso e não sobre porque ele vem chegando mais calado em casa.

Parem de culpar os erros deles pelos atos tomados. Ninguém gosta de errar e todo mundo sabe quando está errado, deixe a culpa com quem já a possui, assuma a postura que dada aos pais: proteção. Às vezes a gente só quer encostar a cabeça nos ombros dos pais e chorar pelo leite derramado – e não ouvir um “Tá vendo, eu te avisei” (“Eu sei que avisou, mas agora não dá para voltar no tempo, né? Fiz merda, beleza.”).

É símbolo de mediocridade culpar os pais pelas coisas que acontecem na nossa vida, mas quando se convive por muito tempo com as mesmas pessoas pegamos atos, falhas, expressões delas, logo boa parte das atitudes tomadas, são sim involuntariamente, culpa dos pais.

Por fim, deixo um questionamento que certa vez li em alguma revista que é esse: “Seu filho pegou seu carro escondido, foi para um lugar o qual você não permitiu que ele fosse. Lá ele foi roubado: dinheiro, carro e documentos. De posse de um telefone para pedir ajuda na situação, para quem você acha que ele ligaria?”

Pense bem, porque se a resposta não for você, existe algo de bem errado aí.

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Simplicidade das coisas

Quando eu olho os problemas de cima, quase como colocando em terceiros ao invés de mim, eu vejo como as coisas são simples e claras. Senão fosse eu, eu já teria uma solução. Sendo essa a solução mais óbvia: não entrando no problema.

O meu problema é que eu gosto de uma forma masoquista de estar sufocada dentro de um problema que não precisava estar acontecendo, e aí quando vejo, lá estou eu, surtando tudo outra vez e de novo.

Queria realmente melhorar isso, sair dessa…mas aqui estou, afogando novamente…

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Minha inveja

Eu não sei em que ponto da minha desvirtuei do caminho que deveria ser o certo a seguir. Agradeço a Deus minhas conquistas, que são muitas dentro do que estive propensa, mas se eu tivesse me esforçado um tiquinho mais estaria melhor.
Sabia, no fundo, que essa história de comunicação social, moda, história, não era para mim, mas era o que eu queria. Sabia que anos mais tarde se os tivesse feito, iria reclamar a vida inteira – até por isso, graças a Deus não fiz – e estaria frustrada. Fui criada para ser engenheira, mas como ser engenheira quando se odeia física? E não deu jeito, penei todos os bimestres do ensino médio para pelo menos atingir a média. Quando prestei o vestibular escolhi os seguintes cursos: Engenharia de materiais (UENF), Engenharia de Automação e Controle (CEFET), História (UFF) e Administração (UFF). Não tive (conforme já o esperado) a capacidade de passar para a UENF, para minha enorme surpresa eu não passei para história…Obtive aprovação em Administração na minha idolatrada UFF assim como para meu arrependimento que carregarei a vida toda, obtive aprovação em Engenharia de Automação e Controle.
Meu pai queria que eu fosse engenheira, independente se eu gostava da coisa ou não, escondi dele durante esses oito anos que passei naquele vestibular. Me matriculei na UFF, me formei com louvor numa carreira que detestei e menosprezei desde o primeiro semestre.
Admito a vocês que tenho vergonha em dizer que sou administradora. Vergonha por vários motivos: nunca consegui um estágio, trainee ou emprego na área. Vergonha porque quando digo que sou administradora muitas vezes vejo estampado (por mais que não digam) na cara dos meus pais um “Você era mais capaz que isso”. Meus colegas são na sua esmagadora maioria engenheiros, bem-sucedidos e trabalham em empregos mega-master-blaster interessantes.
Me pergunto se não tivesse fugido da física, será que eu estaria como eles? Se eu tivesse me preparado para o vestibular um pouquinho mais, ao invés de ter ficado no computador, eu não teria passado numa mega universidade que todo mundo suspira ao falar suas siglas (leia-se UFSCar, USP, UNICAMP, UFRJ) ao invés de ouvir “o que é a UFF?”?
Eu sei que parece que estou cuspindo no prato que comi – aliás, acho que estou – mas é algo que anda me incomodando, incomodando tanto ao ponto de pensar se é engenharia de produção mesmo que eu quero.
Amo produção, mas ela não me traz felicidade pessoal, não tenho orgulho de dizer que sou engenheira de produção, e no momento me pergunto se não quero voltar ao CEFET e fazer o que deveria ter feito há muitos anos atrás e ser considerada “engenheira de verdade”, ser bem-sucedida e ter orgulho de falar minha profissão.
Mas ao outro lado, apesar de tudo, acho que estou no caminho certo, de certa forma a produção é a minha área, e na minha área estou com a formação completa.
A pergunta continua, será que um dia serei feliz e completa?

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Uma carta para meu eu há 10 anos

E aí, Luize?! É assim que você prefere ser chamada então, mas já te adianto que daqui há dez anos será mais comum você ouvir “Lu” em referência a sua pessoa. Pois é, esse apelidinho minúsculo que você acha ridículo será sinônimo de carinho no futuro. Poderia te dizer muita coisa, mas se eu te dissesse você daria uma guinada que eu não estaria aqui, isso pode ser bom ou ruim, mas enfim, acho que no fundo você mandou bem nas escolhas.

Esse ano de 2004 será sim o que você espera, um dos melhores anos da sua vida. Você sempre se lembrará dele com um sorrisinho abestalhado no rosto. Mas ele não foi o único, houve anos tão legais quanto. Muitas coisas que você decidiu em 2004 continuam repercutindo até hoje na sua vida. Vamos ao conselho que a tia Lulu – apelidinho infame que você ganhou na faculdade – vai te dar.

  1. Você vai se estrepar na escola técnica, vai odiar com todas as forças física, e dizer que nunca mais entra em exatas na sua vida, e muito menos estuda numa Federal de novo…mas a vida é uma caixinha de surpresa, e você vai cuspir para cima e acertar no meio da testa. O melhor conselho que te dou é: estuda essa merda, você vai precisar muito desta bosta daqui há alguns anos.
  2. Sabe, você tem problemas com seus pais, isso não vai mudar. Cabe a você decidir pela sua vida ou não. Mas te digo com atenção, ouça papai. Talvez ser engenheira mecânica não fosse uma má idéia (ESTUDA ESSA MERDA DIREITO!).
  3. Você vai chorar muitas vezes por amor. E se acabar também. Você vai ver o fim do poço muitas vezes, mas sempre no meio do caos, você vai saber se reinventar. É a sua maior habilidade.
  4. Pare com essa mania horrorosa de andar arrastando os pés pela casa, você vai quebrar um pé por isso.
  5. Se choca aí, mas você vai ser “atleta”. E está puta da vida nesse momento porque chutou o sofá quebrou o pé e talvez não de tempo de se recuperar para sua primeira competição. Você corre muito!
  6. Seu namoradinho – que não vai dar em nada – diz que a UFF é a universidade mais fraca. Em alguns anos você vai mandar ele mentalmente tomar no cú e vai levantar seu moletom bege aos berros dizendo: SOU FILHA DA UFF, GRADUAÇÃO E MESTRADO!
  7. Um spoiler bem legal da sua vida: se em 2004 você odeia matemática, em 2014 ela será poesia aos seus ouvidos. Você amará estatística e na faculdade de engenharia se orgulhará de dizer que nunca reprovou em cálculo (na de engenharia, porque na de administração você reprovou uma vez hehehe). Matemática será sua vida e matemática aplicada na pesquisa operacional seu grande amor.
  8. Uma coisa engraçada a todos que te conhecem pela fama de má aluna: Não deixe se enganar, você é muito além do que você acha dessas funções trigonométricas. Chegará o dia em que as pessoas te perguntarão para resolver problemas complexos e você será referência em determinadas áreas. Quando terminar sua primeira faculdade (você fará duas!) se formará com excelência e honra, tendo uma homenagem que te fará chorar em todas as fotos. Será convidada a dar aula em faculdade e sua turma terá a sua idade. Você vai ser admirada por sua vontade de estudar, então, não se engane e se sabote se achando burra. Em dez anos, você estará conversando sobre seu anteprojeto de doutorado.
  9. Sabe essa história que se tudo der errado você vai ser mendiga em Paris? Pois bem…Paris sempre foi seu sonho, e você vai realizá-lo algumas vezes.
  10. Suas amigas de infância agora estão distantes de você, e você acha que a amizade de vocês nunca mais será a mesma. Verdade. Não será. Será muito melhor, maior, amor eterno hehe.
  11. Seus amigos de escola técnica continuarão sendo seus amigos. Não os que agora são mais próximos, alguns vão voltar a ser parte da sua vida algum tempo depois, continue sempre cultivando a amizade deles, eles serão boa parte de sua vida.
  12.  Muitas pessoas vão te fazer sofrer, muitas. Às vezes as que você mais ama. Seu mundo vai cair e você também, mas quero que preste atenção: todas elas serão de suma importância para que você se mexa e alcance sonhos que nem sonhou ainda. Todas terão um significado muito especial mesmo que você as odeie. Agradeça a Deus por terem cruzados o seu caminho.
  13.  Você está gordinha. Mas não será para sempre. Mas essa será a surpresa mais grata da sua vida, então não vou te contar mais!
  14.  Você vai ser loira. AHHHH vaaaai, e PLATINADA! Se choca.
  15. Luize, o mais importante: boa parte da sua vida você passará reclamando das suas escolhas, mas foram às melhores escolhas que você poderia fazer, elas são o que você é hoje. E o que você é hoje? Uma pessoa muito admirada pela força de vontade e pela disposição. Aos 25 anos você não terá o que boa parte dos seus amigos tem: casa própria, carro próprio (não, papai não vai te dar o maldito carro), um emprego foda, nem um bando de melequentos para cuidar. Mas você terá uma alegria imensa ao ver que na sua idade discute com pessoas estudadas, porque você é uma. Olhará para seu passaporte e verá que todo o lugar do mundo que quis conhecer, você conheceu. Você vai encontrar uma pessoa que sua vida será só completa enquanto a dela existir, e ela será o responsável por todo seu suporte emocional. E que sim, você tem uma Louis Vuitton original comprada em Paris – por você mesma.

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