Posts Marcados Como criar seus filhos

Carta aberta aos pais

Eu tenho 25 anos e ainda não tenho filhos. Sei que no fundo, eu não tenho moral alguma para dar conselho a ninguém que já tenha passado pela experiência, mas como filha “crescida”, acho que poderia pelo menos sugerir algumas coisas que nos dizem respeito.

A vida é corrida, existe o estresse do trabalho, trânsito, calor, pessoas mal-intencionadas, casa para cuidar/sustentar e ainda existem os filhos, que vem com aquele monte de assunto bobo para tratar. É o coleguinha que roubou o lápis. É o agasalho que esqueceu na escola. Mais uma coisa para perturbar. Muitas vezes é melhor fazer ouvido de surdo para não escutar. Porém, se eu puder dar um conselho primordial é: escute seus filhos.

Ignore e faça um filtro nas bobagens cotidianas, mas pergunte como foi seu dia, como se sentiu naquele dia. Não adianta falar a cada dez minutos que ama o filho, que faz das tripas coração para sustentá-lo se com os detalhes mais simples não se preocupa. Amor não é falar, pagar, dar de si o melhor; amor é conhecer o outro, é saber respeitar sua individualidade, espaço. Não somos seres inanimados: temos sentimento. E isso é muito sério.

Cada dia que passa eu tenho visto que menos a gente conhece quem a gente ama, e vejo isso na relação de pais e filhos. Ficam tão preocupados em encontrar uma ogiva nuclear no quarto do indivíduo que não sabem que a ogiva está apontada dentro da cabeça dele.

A relação de diálogo que costuma ser problemática na adolescência, nem sempre é dos filhos para os pais, e sim ao contrário. O “não” é fundamental para ser o freio, mas o porquê também deveria vir junto. Repressão, “tá errado”, opressão, não são fatores existentes na amarra de uma cadeira ou castigo, elas existem dentro da cabeça de cada um.

Pense em quem seu filho confia, em você ou em amigos? Pense se você o conhece ou se ele é mais um estranho presente na sua vida. Pergunte o que ele faz e REALMENTE se interesse por aquilo. Quando digo realmente não é dizer: “Ah meu filho é médico-cardiologista, mas se especializou em SUS, porque ele faz as coisas para coisa pública” quando na verdade ele só está no SUS para concluir o curso. Entenda. Faça perguntas sobre isso e não sobre porque ele vem chegando mais calado em casa.

Parem de culpar os erros deles pelos atos tomados. Ninguém gosta de errar e todo mundo sabe quando está errado, deixe a culpa com quem já a possui, assuma a postura que dada aos pais: proteção. Às vezes a gente só quer encostar a cabeça nos ombros dos pais e chorar pelo leite derramado – e não ouvir um “Tá vendo, eu te avisei” (“Eu sei que avisou, mas agora não dá para voltar no tempo, né? Fiz merda, beleza.”).

É símbolo de mediocridade culpar os pais pelas coisas que acontecem na nossa vida, mas quando se convive por muito tempo com as mesmas pessoas pegamos atos, falhas, expressões delas, logo boa parte das atitudes tomadas, são sim involuntariamente, culpa dos pais.

Por fim, deixo um questionamento que certa vez li em alguma revista que é esse: “Seu filho pegou seu carro escondido, foi para um lugar o qual você não permitiu que ele fosse. Lá ele foi roubado: dinheiro, carro e documentos. De posse de um telefone para pedir ajuda na situação, para quem você acha que ele ligaria?”

Pense bem, porque se a resposta não for você, existe algo de bem errado aí.

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