Posts Marcados Das m* que a gente faz nessa vida

Minha inveja

Eu não sei em que ponto da minha desvirtuei do caminho que deveria ser o certo a seguir. Agradeço a Deus minhas conquistas, que são muitas dentro do que estive propensa, mas se eu tivesse me esforçado um tiquinho mais estaria melhor.
Sabia, no fundo, que essa história de comunicação social, moda, história, não era para mim, mas era o que eu queria. Sabia que anos mais tarde se os tivesse feito, iria reclamar a vida inteira – até por isso, graças a Deus não fiz – e estaria frustrada. Fui criada para ser engenheira, mas como ser engenheira quando se odeia física? E não deu jeito, penei todos os bimestres do ensino médio para pelo menos atingir a média. Quando prestei o vestibular escolhi os seguintes cursos: Engenharia de materiais (UENF), Engenharia de Automação e Controle (CEFET), História (UFF) e Administração (UFF). Não tive (conforme já o esperado) a capacidade de passar para a UENF, para minha enorme surpresa eu não passei para história…Obtive aprovação em Administração na minha idolatrada UFF assim como para meu arrependimento que carregarei a vida toda, obtive aprovação em Engenharia de Automação e Controle.
Meu pai queria que eu fosse engenheira, independente se eu gostava da coisa ou não, escondi dele durante esses oito anos que passei naquele vestibular. Me matriculei na UFF, me formei com louvor numa carreira que detestei e menosprezei desde o primeiro semestre.
Admito a vocês que tenho vergonha em dizer que sou administradora. Vergonha por vários motivos: nunca consegui um estágio, trainee ou emprego na área. Vergonha porque quando digo que sou administradora muitas vezes vejo estampado (por mais que não digam) na cara dos meus pais um “Você era mais capaz que isso”. Meus colegas são na sua esmagadora maioria engenheiros, bem-sucedidos e trabalham em empregos mega-master-blaster interessantes.
Me pergunto se não tivesse fugido da física, será que eu estaria como eles? Se eu tivesse me preparado para o vestibular um pouquinho mais, ao invés de ter ficado no computador, eu não teria passado numa mega universidade que todo mundo suspira ao falar suas siglas (leia-se UFSCar, USP, UNICAMP, UFRJ) ao invés de ouvir “o que é a UFF?”?
Eu sei que parece que estou cuspindo no prato que comi – aliás, acho que estou – mas é algo que anda me incomodando, incomodando tanto ao ponto de pensar se é engenharia de produção mesmo que eu quero.
Amo produção, mas ela não me traz felicidade pessoal, não tenho orgulho de dizer que sou engenheira de produção, e no momento me pergunto se não quero voltar ao CEFET e fazer o que deveria ter feito há muitos anos atrás e ser considerada “engenheira de verdade”, ser bem-sucedida e ter orgulho de falar minha profissão.
Mas ao outro lado, apesar de tudo, acho que estou no caminho certo, de certa forma a produção é a minha área, e na minha área estou com a formação completa.
A pergunta continua, será que um dia serei feliz e completa?

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O meu cabelo

Nessa vida meu cabelo já passou uns maus bocados incríveis.
Quando eu tinha uns 11, 12 anos, estava na moda a criançada ter um cabelo chocante, sabe como é, impressionar e chocar o mundo adulto e tal, mas eu sempre fui cagona para enfrentar papai e mamãe, além do mais, ainda tinha que ser aceita pelo grupinho do colégio – onde eu era estranha, gorda, orelhuda e pobre. E agora, COMOFAS? Me joguei naqueles sprays horrorosos – ainda vende? *-* – e fiquei com o cabelo rosa, roxo e etc… Não gostei, jogava a juba na água e estava tudo resolvido.
Mais velha e ainda necessitando da tal auto-afirmação, aos 17 resolvi pintar. Precisava ser algo para destacar a pele, mostrar que sou roqueira e ainda estar linda. Lá foi Luize se jogar nos vermelhos vibrantes. Primeiro para não me chocar e não chocar a sociedade abri mechas abóboras antes de me tornar um cone ambulante. O problema é que a cabeleleira se vingou do meu ilustre cabelinho e fez uma bosta de mechas desconexas. Nunca a perdoei. Depois me joguei nos abóboras e vermelhos extintor-de-incêndio com bastante descolorante para pegar, se houvesse água oxigenada 60vl eu estava usando. Uma maravilha moderna! Para completar o visual malvadona, ainda coloquei alargadores e furei mais alguns furos nas orelhas. Estava quase me sentindo Elvira a Rainha das trevas, quando entrei no mercado de trabalho. Entrei como nível técnico em uma empresa de renome e estar com os cabelos vermelhos e alargadores, poderiam não ser uma boa idéia.
Passei a cor que eu achava que era meu cabelo, castanho escuro. Ficou preto. Preto henê, sabe? Parecia que eu tinha alisado e espichado o pobre, quando o mesmo era liso. O bom dessa fase é que eu nunca mais me preocupei com o cabelo, o ritual de limpeza dele era o de sempre como quando era virgem, e ainda tinha mais uma vantagem, ao invés de lavá-los todos os dias (meu cabelo virgem é um poço de óleo), eu lavava de dois em dois! Então fui largando o cabelo crescer. Meu cabelo naturalmente é um castanho claro acinzentado se existisse, algo como 5.1, e começou a ficar em três cores, a natural na raiz, preto desbotado e um vermelho vibrante na ponta. Lindo. Finalmente quando cortei ficou virgem por igual e eu ganhei ares mais maduros. Foi uma época interessante, estava com uma boa posição no trabalho, elegante e bem mais velha. Esse foi o maior problema da minha juba, me envelheceram uns dez anos!
Certo dia no trabalho um colega estava tomando café comigo quando disparou:

– É Luize, nós, que já chagamos aos trinta temos que nós deparar com esse tipo de problema.

PERAE. Nós quem, cara-pálida?

– Quantos anos você acha que eu tenho?
– Uns vinte e nove, trinta. Você é de 80, né? Então você está fazendo 30.

Meu mundo acabou. Eu tinha 21 anos recém-feitos. Quando contei isso ao meu colega ele ficou azul de vergonha (e insistiu para mostrar minha identidade. Sensibilidade a gente se vê por aqui!). Foi então que passei a mais radical das transformações: fiz luzes. Não só luzes, mas balaiagens, reflexos e tudo mais que um descolorante azul pode fazer com você. Afinal mulher não envelhece, fica loira, mas, isso é caro. E eu sou pobre.
Mas a gente é pobre com o cabelo bonito. Resolvi fazer em casa, queria reflexos branquinhos. Resultado, perdi uma mecha significativa de cabelo deixando o descolorante por mais de 40 minutos em uma parte já descolorida.
Triste Fim de Policarpo Quaresma (Já leu esse livro? Não?! Larga esse computador e vai ler, rapá), caiu uma mecha do meu cabelo e ainda tive que queratinar o bichinho todo.
Mas eu sou brasileira e que faz jus a sua origem lusa – mal aí mãe! – não desisti e continuei aplicando descolorantes cavalares, hoje eu detenho uma juba loira que consome uma boa parte do meu pagamento, em tons que variam entre o loiro claro ao platinado. A raiz é descolorida, arde, dói, machuca, fede mas é gostoso.
Demorou um bom tempo até que eu ficasse loira discípula de Lady Gaga, mas consegui.
Enfim, deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz – ops, quer dizer, o cabelo.

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