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Depressão, você tem? Eu tenho.

Há muitos anos, passo campus universitário e vejo o pessoal da saúde dizendo que devemos conversar sobre saúde mental. Ignoro sumariamente. Primeiro porque sou da engenharia e se não tenho argumentos não vou atrapalhar. Segundo, nunca me interessou.
Há muitos anos também eu me arrasto com um vazio num peito e uma ansiedade que me consome, basta você recapitular nesse blog. E eu já fiz de tudo que você pode imaginar – além de ser diagnosticada com tudo que você pode imaginar. Minha ansiedade me engole diariamente e parece que mastiga, como se não bastasse, minha cabeça cria uma realidade cruel na qual eu vivo e sinto cada coisa que ela cria, quando eu conto às pessoas ela me chamam de dramática, mas aquilo para mim é tão real quanto o prato de arroz e feijão do almoço. Por mais que eu me esforce em não ver o mundo sobre esse ótica é única que existe na minha cabeça, para fugir dela, eu crio ótica com a visão dos outros e vou vivendo assim, estava dando certo até então.
Mas voltando ao caso da ansiedade e do eterno desânimo, nunca achei que fosse depressão na real. Porque sabe, sempre achei que depressão fosse aquela pessoa que não quer nem se arrumar para sair de casa, o que não acontece comigo. Eu estou sempre arrumada, maquiada e procurando algo novo. Converso com as pessoas.
Quando terminei o mestrado as dores no estômago e as noites insones e perturbadoras pioraram. Muito. Descobri que estava com uma úlcera nervosa. Sinal vermelho para estresse. Normal para quem termina uma defesa eletrizante na área de exatas como a minha, perde o concurso dos sonhos e está frustrada com a vida – opa! Luize, você precisa de ajuda.
Não, eu não preciso.
Fiz Ioga.
Corro 21km.
Não bebo.
Durmo 8 horas por dia.
Atividade físicas todos os dias e alimentação equilibrada
Estou dentro do meu peso.
Faço análise.
ESTÁ TUDO BEM.
*pausa dramática porque NÃO está NADA bem!*
Voltamos a primeira frase desse texto: “Precisamos conversar sobre saúde mental”. Procurei um psiquiatra quando dei chilique no meio de uma audiência no fórum. Ele me pediu uma bateria de exames que nenhum outro médico havia me pedido, entre eles uns nomes engraçados: cortisol, adrenalina, serotonina… e pediu que fizesse todos depois de descansada. Quando peguei os resultados, todos os valores de referência estavam 10 vezes alterados.
Voltei ao médico e saí de lá com 5 remédios controlados e descontroladamente chorando. A tal da fase de negação né. “Não sou louca”. Relutei a tomar os remédios. Porque né, conheço vários amigos que estão super bem, fumavam 3 maços de cigarro por dia foram meditar e hoje nem carne mais comem, por que eu, vou ser mais uma da prozac nation? Então, depois de muita conversa, a ficha me caiu. Eu estou doente. Tal qual quando tenho uma pneumonia. Pneumonia não se trata só correndo ou ficando de cabeça para baixo ou tomando matinhos. Eu preciso de remédios. Senão só piora. Meu corpo não se conserta sozinho. Ali estava claro, eu estava doente, os valores eram muito maiores que o de referência.
Na primeira semana eu fui 200 Luizes diferentes, mandei várias pessoas a merda, chorei 5 vezes na frente do meu chefe, dormi 3x no ônibus e não posso dirigir. Esqueci 4x como se fazia o cálculo da força momento numa viga, a bebida que mais gosto no mundo – Coca-Cola zero! – está intragável! E eu não tenho fôlego para ir na cozinha beber água. Essa noite pela primeira vez em 15 anos eu não pensei como seria bom não acordar mais e dar um silêncio no eco do meu peito. Essa noite eu nem pensei, eu fiz como era quando criança: dei boa noite a mamãe e papai, olhei para cama, puxei o coberto até o peito, esquentei meu coração e dormi – muito bem, sem vazio, obrigada!

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