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Adeus, Jobs.

Foi em uma revista de papai que vi o anúncio na contracapa: uma maçãzinha deliciosamente mordida na lateral nas cores do arco-íris. Era inicio dos anos 90 e eu nem sabia ler, ali Jobs me conquistou pela primeira vez.
O famoso logo nos anos 90No trabalho de papai tinha um trambolho com aquela maçã, coisa que meus dedinhos ávidos teimavam em tentar descolar – algo que não era possível – para levar para casa. Anos depois descobri que aquilo era um computador e aquela maçã seria um dos objetos mais cobiçados por mim pelos próximos quinze anos.
Quando comecei a ler e me interessar por quinquilharias eletrônicas, vi um anúncio da Superinteressante onde exibia os computadores da maçã em monitores super coloridos e charmosos, na hora disparei para papai que queria um, ele contra-argumentou que quando eu crescesse trabalhasse para ter porque aquele ali era muito caro.
Não sei se por ironia do destino ou o quê, informática é o meu ganha-pão. E mais do que isso, meu hobby incontrolável. Guardei meus primeiros salários e minha primeira aquisição foi um Macbook branquinho, antes já tinha ganhado um Ipod e seus trecos adjacentes, e hoje honestamente nem sei mais como se trabalha com um PC.
Jobs é meu guru em vários âmbitos. Primeiro porque minha graduação é justamente em Administração e seu império é o maior do mundo, com uma cultura organizacional fantabulosa; Segundo porque sou louca pelas propagandas simplistas e com design inovador e terceiro – e mais importante – eu sou apaixonada pelos seus produtos. A minha paixão pela Apple é tão grande e tão latente que contagiei minha casa, onde meu pai e meu irmão são usuários ávidos por Apple’s things.
Homenagem a JobsJobs mudou a maneira de ver o mundo, de interagir com as coisas, e simplesmente olhar tudo da forma mais fácil. O mundo não precisa de tantos botões assim. Jobs não construía máquinas, nem investia em entretenimento: ele criava sonhos e tornava plausível a quem fosse. Criava em nós necessidades inexistentes e alimentava nosso desejo por uma vida mais moderna, colorida e de fácil manuseio. Não existe ninguém que escapou aos encantos de Jobs, não há ninguém que os olhos não brilham com os desenhos da Pixar ou o design simpático de um iTreco. Com carga de rei ele mudou o mundo.
Recebi a noticia da morte dele com o pesar de quem perde um velho amigo querido, mas com o consolo que ele conseguiu imprimir sua marca no mundo. Foi do seu legado onde recebi a noticia, o aparelho que criou me noticiou a sua morte – foi-se o homem, ficou o mito.
Boa viagem, Steve!

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Orgulho?

Acho cômico quando me dizem que se orgulham por não pertencer a uma rede social. Respeito a idéia, mas posso discordar; Claro, que você pode ter o direito de não querer fazer parte desse mundo, seja porque acha frio, sem propósito, excesso de exposição ou qualquer outra coisa. Mas se orgulhar, eu acho estranho. Da mesma forma que também acho estranho alguém dizer que se orgulha por fazer parte.
Eu tenho Orkut e Facebook há anos – a minha conta do Orkut tem mais de 6 anos, eu ainda estava no colegial! – e tenho porque acho prático. Um meio de comunicação – será que estou forçando? – novo. E eu gosto de estar por dentro do que é novo. Quando acessei pela primeira vez a rede de microblogs “Twitter” achei completamente sem propósito, mas comecei a mudar de idéia ao ver o poder daquela rede na campanha do atual presidente dos EUA. É incrível a velocidade que algo se propaga nas redes sociais: tudo pode virar tendência, marketing ou especulação. Quantos foram projetados graças a essas ferramentas? Uma projeção boa? Não sei, nem me cabe dizer.
Dizer que se orgulha em não pertencer a redes sociais, é como dizer que se orgulha em não usar telefone e se comunicar por cartas. Um orgulho desnecessário. Existem coisas melhores para se orgulhar. Ficar as avessas sem experimentar é impedir de conhecer o novo – até para formar uma crítica concisa sobre o assunto. Imagina se todos tivessem ficado orgulhosos de não usarem e-mails e só comunicarem por cartas? Ou que o pombo-correio fosse o meio mais vantajoso e seguro? Qual seria nossa “evolução” (sim, entre aspas, porque evolução é muito mais que isso)?
Não é o fato de ser rede social, mas é o orgulho a estar fora das novidades. Não consigo ver orgulho nisso. É como me orgulhar de não ver televisão – é sério, eu realmente não vejo TV. Não sinto orgulho, as vezes sinto até vergonha, não por não pertencer ao grupo que vê ou ser revolucionária por não pertencer a massa influenciada, nada disso. Simplesmente não tenho paciência para televisão. Tenho noção que estou perdendo alguma coisa interessante por esse meu hábito de não querer aderir a paciência e sentar meu traseiro e ver uma tela por mais de uma hora. Filmes, documentários…isso passa batido pela minha resistência. É motivo de me orgulhar? Não. Estou provavelmente perdendo alguma coisa que pode no futuro me agregar valor – nem que seja para falar mal dela depois.
Imagina se órgãos, empresas e grandes conglomerados não tivessem aderido a internet no final da década de 90 por se orgulharem de manterem os valores aos quais foram fundados?
Eu acho que os valores podem ser mantidos e é bom que se mantenham, mas devemos estar aberto a outras coisas e principalmente conhecer o que criticamos, afinal, um bom crítico tem que conhecer bem a obra. E isso sim é um bom motivo para se orgulhar.

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