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Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Existem pessoas que são naturalmente felizes. Pessoas que andam sorrindo, e que de fato acreditam que o melhor lugar no mundo é aquele em que se está. Esse tipo de gente, tem em sua natureza, a leveza e positividade. Onde eu acredito que vivam bem em sua plenitude.
Já por outro lado, existem as pessoas que são naturalmente amargas. Não que sejam ranzinzas o tempo inteiro, mas ao invés de ver o lado bom da vida, vêem o copo meio vazio. A desconfiança é inerente a vontade da pessoa; pequenos boicotes são diários na sua vida – não se permita, não demore, não saia descabelada, não seja você. São pessoas que o dia sempre está cinza, por mais que o sol brilhe lá fora.
Eu sou esse segundo tipo de gente, aquela que vive nos 50 tons de cinza todos os dias. O medo, a angústia, a sensação de estar sempre fazendo algo errado, a eterna irritação…já estão tão arraigados que honestamente acredito que não sei viver sem esses defeitos – afinal, a gente nunca sabe qual deles sustenta o predio inteiro, não é? – Não é querendo “mimizar” ou “coitatizar” minha situação. Eu sou assim, meu mundo é sempre cinza por mais azul e sem nuvens que pareça. E assim vou vivendo, as vezes não tão bem quanto eu gostaria que fosse.
Em contrapartida, minha melhor amiga é meu oposto. É feliz sem forçar a barra. Aquela pessoa de sorriso fácil onde o mundo está ruíndo e ela está sã e inteira. Uma pessoa que enquanto eu vejo no risco uma ameça, ela vê oportunidade. Quando a pessoa é assim, espontaneamente feliz não é aquele tipo irritante, porque é ela, e não um personagem para a sociedade. As vezes, eu a vejo como uma lâmpada incandescente onde as pessoas ficam em sua volta como mariposas, por conta do seu tranquilo brilho. Isso me inclui.
Ontem ela pegou uma carona comigo enquanto voltávamos da faculdade, e ela comentou em um tom calmo sobre a posição de pessoas que falam que em breve seu sorriso vai acabar…”Quando tal situação acontecer quero ver se você vai continuar sorrindo”. Aquele tipo de gente que nem é cinza, nem é feliz. O infeliz do morno, que nem capacidade tem de assumir um lado ou outro e vem azarar o pobre coitado que surge no caminho. Esse tipo é aquele tipo que falará para um deprimido que ele “Precisa levantar, eu sei que você está com depressão…mas você tem que reagir”. É aquele filho da puta que não acrescenta nada na porra da vida alheia, mas que tá lá doido para gongar.
Então meu amigo, se você for assim, repense um pouco. Escolha um lado. Faça uma boa decisão e deixe os demais seguirem as deles.
Claro que você tem direito de ser um merda e ter um dia merda. Mas por favor, não tente tirar o de outra pessoa.

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Dos prazeres incautos dessa vida

Estou com frio, ainda é inverno. Minhas mãos estão geladas e nada as aquece. O frio não é só físico, é um frio que parece estar instalado no corpo, onde pensar não está fazendo parte do cotidiano.
Na cabeça, as discussões acaloradas como se tudo rodopiasse freneticamente, mas isso não me esquenta, na verdade me esfria. Uma xícara de café é confortante, como forma de apaziguar o frio do corpo e o calor da alma, das paixões desenfreadas por tudo que não posso ter. O sol parece não importar para os arrepios que correm no meu corpo, seriam só meus? Seria só isso? Ou tudo isso?
Estou crescendo, a vida adulta me sacode e me faz desejar viver tudo intensamente, toda a vontade e prazeres cotidianos que se abrem diante as tantas possibilidades. E eu que sempre desejei viver tudo com toda paixão que uma jovem poderia ter. Minha ansiedade me consome: eu preciso, eu quero e eu posso. Logo eu, que sempre fui comedida com meus atos, sempre segurando para que nada fosse feito por impulso para não estragar minha vida. Excesso de racionalidade. Sempre foi meu forte ser racional, pensar, calcular, medir meus atos… Só que eu simplesmente não quero mais. Ou talvez eu não precise mais. Procuro erros, sei que existem, mas não os vejo, não desejo vê-los. Tenho grilhões gelados que me prendem, preciso deles?
Quero sentir o sol, o calor na alma nesse inverno que só eu sinto. Quero afagar com meus pequenos prazeres que não me são permitidos. Quero satisfazer a minha ansiedade. Por que sempre quero tudo rápido? Soluções rápidas e práticas para coisas simples e complexas, preciso delas. Não quero ser a máquina que sempre fui: faça, durma, estude, ame, respeite, tenha regras, obedeça padrões e não saia jamais de onde os pés alcance. Quero ter o desespero de conhecer o novo, as mudanças e aproveitar o que não poderei mais daqui há uns anos. Desejo o abstrato me consumindo, aquecendo cada célula do meu ser, acalentando meu inverno.
Doces, salgados, amargos – experimentar cada sensação com o gosto de ser experimentada e não como uma coisa que eu saboreio e depois engulo como se fosse arroz e feijão de todo dia. Sem tanta preocupação com o amanhã, ele podemos deixar para depois. Não preciso viver na ansiedade de viver o amanhã, hoje. Meu corpo clama por mudanças, algo que tenho tanto medo, que precisa ser vivido – mas eu ainda não sei como aquecer o meu inverno.

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Será que o problema sou eu?

“Ser diferente é legal!” Tenho minhas dúvidas. Sempre quis ser diferente de todas, queria ser especial, lembrada e outras coisas e me arrependo amargamente de ter desejado isso. Queria ser normal.
Tenho que agradecer a Deus por ter me dado condições e saúde para viver a vida da melhor maneira possível.
Mas o que estou falando aqui é ser quem eu sou. Como assim?
Recentemente ouvi a seguinte frase: “Ninguém gosta de você porque você não guarda suas idéias para si, você defende seu ponto de vista.” Opa, acho que temos um grande problema!
Sou partidária do “Penso, logo existo.” então defender meus valores e ideais são meus referenciais de quem sou. E se eu parar de defender e entrar no senso-comum deixarei de ser eu, certo?
O ninguém gosta de você é uma das coisas que ouvi nos últimos anos, não só ouvi, mas também percebi por gestos – ou falta deles. Ouvi também que eu tenho o “dom de fazer quem me ama me odiar”, fora agressões verbais de outras formas.
Se ninguém gosta de mim e quem me ama me odeia, logo concluímos que eu não tenho alguém com quem conversar; Hm, não é tão axial assim, tenho poucos mas bons amigos. Que gostam de mim por quem sou. Agora, é lógico que me incomoda “incomodar” a maioria, não gosto disso. Parece que estou fazendo o mal, quando na verdade quero o bem de todos que me rodeiam.
Ultimamente tenho sido acusada, ameaçada e fico constantemente acuada, sem ter feito nada. Agressões gratuitas rolam até em relação a cor de meu cabelo. Mas são tantas coisas que eu fico até com medo de dar as caras onde tenho que ir, minha vontade é fechar as cortinas e falar: “minha gente, o show acabou!”
Quero sair de cena, deixar de ser o foco dos conflitos.
Bem como eu disse, se são todos – ou pelo menos a esmagadora maioria que não gostam de mim – o problema sou eu. Se em uma turma de 30, 28 são reprovados, o problema é da turma ou professor? Então…
Não estou sendo irônica, nem debochada, estou refletindo sobre mim, se agrego valor a sociedade ou não – e morro de medo, mas ando constatando que não.
É…estou triste e infeliz e isso é um problema só meu. Literalmente meu.

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