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Uma carta para meu eu há 10 anos

E aí, Luize?! É assim que você prefere ser chamada então, mas já te adianto que daqui há dez anos será mais comum você ouvir “Lu” em referência a sua pessoa. Pois é, esse apelidinho minúsculo que você acha ridículo será sinônimo de carinho no futuro. Poderia te dizer muita coisa, mas se eu te dissesse você daria uma guinada que eu não estaria aqui, isso pode ser bom ou ruim, mas enfim, acho que no fundo você mandou bem nas escolhas.

Esse ano de 2004 será sim o que você espera, um dos melhores anos da sua vida. Você sempre se lembrará dele com um sorrisinho abestalhado no rosto. Mas ele não foi o único, houve anos tão legais quanto. Muitas coisas que você decidiu em 2004 continuam repercutindo até hoje na sua vida. Vamos ao conselho que a tia Lulu – apelidinho infame que você ganhou na faculdade – vai te dar.

  1. Você vai se estrepar na escola técnica, vai odiar com todas as forças física, e dizer que nunca mais entra em exatas na sua vida, e muito menos estuda numa Federal de novo…mas a vida é uma caixinha de surpresa, e você vai cuspir para cima e acertar no meio da testa. O melhor conselho que te dou é: estuda essa merda, você vai precisar muito desta bosta daqui há alguns anos.
  2. Sabe, você tem problemas com seus pais, isso não vai mudar. Cabe a você decidir pela sua vida ou não. Mas te digo com atenção, ouça papai. Talvez ser engenheira mecânica não fosse uma má idéia (ESTUDA ESSA MERDA DIREITO!).
  3. Você vai chorar muitas vezes por amor. E se acabar também. Você vai ver o fim do poço muitas vezes, mas sempre no meio do caos, você vai saber se reinventar. É a sua maior habilidade.
  4. Pare com essa mania horrorosa de andar arrastando os pés pela casa, você vai quebrar um pé por isso.
  5. Se choca aí, mas você vai ser “atleta”. E está puta da vida nesse momento porque chutou o sofá quebrou o pé e talvez não de tempo de se recuperar para sua primeira competição. Você corre muito!
  6. Seu namoradinho – que não vai dar em nada – diz que a UFF é a universidade mais fraca. Em alguns anos você vai mandar ele mentalmente tomar no cú e vai levantar seu moletom bege aos berros dizendo: SOU FILHA DA UFF, GRADUAÇÃO E MESTRADO!
  7. Um spoiler bem legal da sua vida: se em 2004 você odeia matemática, em 2014 ela será poesia aos seus ouvidos. Você amará estatística e na faculdade de engenharia se orgulhará de dizer que nunca reprovou em cálculo (na de engenharia, porque na de administração você reprovou uma vez hehehe). Matemática será sua vida e matemática aplicada na pesquisa operacional seu grande amor.
  8. Uma coisa engraçada a todos que te conhecem pela fama de má aluna: Não deixe se enganar, você é muito além do que você acha dessas funções trigonométricas. Chegará o dia em que as pessoas te perguntarão para resolver problemas complexos e você será referência em determinadas áreas. Quando terminar sua primeira faculdade (você fará duas!) se formará com excelência e honra, tendo uma homenagem que te fará chorar em todas as fotos. Será convidada a dar aula em faculdade e sua turma terá a sua idade. Você vai ser admirada por sua vontade de estudar, então, não se engane e se sabote se achando burra. Em dez anos, você estará conversando sobre seu anteprojeto de doutorado.
  9. Sabe essa história que se tudo der errado você vai ser mendiga em Paris? Pois bem…Paris sempre foi seu sonho, e você vai realizá-lo algumas vezes.
  10. Suas amigas de infância agora estão distantes de você, e você acha que a amizade de vocês nunca mais será a mesma. Verdade. Não será. Será muito melhor, maior, amor eterno hehe.
  11. Seus amigos de escola técnica continuarão sendo seus amigos. Não os que agora são mais próximos, alguns vão voltar a ser parte da sua vida algum tempo depois, continue sempre cultivando a amizade deles, eles serão boa parte de sua vida.
  12.  Muitas pessoas vão te fazer sofrer, muitas. Às vezes as que você mais ama. Seu mundo vai cair e você também, mas quero que preste atenção: todas elas serão de suma importância para que você se mexa e alcance sonhos que nem sonhou ainda. Todas terão um significado muito especial mesmo que você as odeie. Agradeça a Deus por terem cruzados o seu caminho.
  13.  Você está gordinha. Mas não será para sempre. Mas essa será a surpresa mais grata da sua vida, então não vou te contar mais!
  14.  Você vai ser loira. AHHHH vaaaai, e PLATINADA! Se choca.
  15. Luize, o mais importante: boa parte da sua vida você passará reclamando das suas escolhas, mas foram às melhores escolhas que você poderia fazer, elas são o que você é hoje. E o que você é hoje? Uma pessoa muito admirada pela força de vontade e pela disposição. Aos 25 anos você não terá o que boa parte dos seus amigos tem: casa própria, carro próprio (não, papai não vai te dar o maldito carro), um emprego foda, nem um bando de melequentos para cuidar. Mas você terá uma alegria imensa ao ver que na sua idade discute com pessoas estudadas, porque você é uma. Olhará para seu passaporte e verá que todo o lugar do mundo que quis conhecer, você conheceu. Você vai encontrar uma pessoa que sua vida será só completa enquanto a dela existir, e ela será o responsável por todo seu suporte emocional. E que sim, você tem uma Louis Vuitton original comprada em Paris – por você mesma.

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O meu cabelo

Nessa vida meu cabelo já passou uns maus bocados incríveis.
Quando eu tinha uns 11, 12 anos, estava na moda a criançada ter um cabelo chocante, sabe como é, impressionar e chocar o mundo adulto e tal, mas eu sempre fui cagona para enfrentar papai e mamãe, além do mais, ainda tinha que ser aceita pelo grupinho do colégio – onde eu era estranha, gorda, orelhuda e pobre. E agora, COMOFAS? Me joguei naqueles sprays horrorosos – ainda vende? *-* – e fiquei com o cabelo rosa, roxo e etc… Não gostei, jogava a juba na água e estava tudo resolvido.
Mais velha e ainda necessitando da tal auto-afirmação, aos 17 resolvi pintar. Precisava ser algo para destacar a pele, mostrar que sou roqueira e ainda estar linda. Lá foi Luize se jogar nos vermelhos vibrantes. Primeiro para não me chocar e não chocar a sociedade abri mechas abóboras antes de me tornar um cone ambulante. O problema é que a cabeleleira se vingou do meu ilustre cabelinho e fez uma bosta de mechas desconexas. Nunca a perdoei. Depois me joguei nos abóboras e vermelhos extintor-de-incêndio com bastante descolorante para pegar, se houvesse água oxigenada 60vl eu estava usando. Uma maravilha moderna! Para completar o visual malvadona, ainda coloquei alargadores e furei mais alguns furos nas orelhas. Estava quase me sentindo Elvira a Rainha das trevas, quando entrei no mercado de trabalho. Entrei como nível técnico em uma empresa de renome e estar com os cabelos vermelhos e alargadores, poderiam não ser uma boa idéia.
Passei a cor que eu achava que era meu cabelo, castanho escuro. Ficou preto. Preto henê, sabe? Parecia que eu tinha alisado e espichado o pobre, quando o mesmo era liso. O bom dessa fase é que eu nunca mais me preocupei com o cabelo, o ritual de limpeza dele era o de sempre como quando era virgem, e ainda tinha mais uma vantagem, ao invés de lavá-los todos os dias (meu cabelo virgem é um poço de óleo), eu lavava de dois em dois! Então fui largando o cabelo crescer. Meu cabelo naturalmente é um castanho claro acinzentado se existisse, algo como 5.1, e começou a ficar em três cores, a natural na raiz, preto desbotado e um vermelho vibrante na ponta. Lindo. Finalmente quando cortei ficou virgem por igual e eu ganhei ares mais maduros. Foi uma época interessante, estava com uma boa posição no trabalho, elegante e bem mais velha. Esse foi o maior problema da minha juba, me envelheceram uns dez anos!
Certo dia no trabalho um colega estava tomando café comigo quando disparou:

– É Luize, nós, que já chagamos aos trinta temos que nós deparar com esse tipo de problema.

PERAE. Nós quem, cara-pálida?

– Quantos anos você acha que eu tenho?
– Uns vinte e nove, trinta. Você é de 80, né? Então você está fazendo 30.

Meu mundo acabou. Eu tinha 21 anos recém-feitos. Quando contei isso ao meu colega ele ficou azul de vergonha (e insistiu para mostrar minha identidade. Sensibilidade a gente se vê por aqui!). Foi então que passei a mais radical das transformações: fiz luzes. Não só luzes, mas balaiagens, reflexos e tudo mais que um descolorante azul pode fazer com você. Afinal mulher não envelhece, fica loira, mas, isso é caro. E eu sou pobre.
Mas a gente é pobre com o cabelo bonito. Resolvi fazer em casa, queria reflexos branquinhos. Resultado, perdi uma mecha significativa de cabelo deixando o descolorante por mais de 40 minutos em uma parte já descolorida.
Triste Fim de Policarpo Quaresma (Já leu esse livro? Não?! Larga esse computador e vai ler, rapá), caiu uma mecha do meu cabelo e ainda tive que queratinar o bichinho todo.
Mas eu sou brasileira e que faz jus a sua origem lusa – mal aí mãe! – não desisti e continuei aplicando descolorantes cavalares, hoje eu detenho uma juba loira que consome uma boa parte do meu pagamento, em tons que variam entre o loiro claro ao platinado. A raiz é descolorida, arde, dói, machuca, fede mas é gostoso.
Demorou um bom tempo até que eu ficasse loira discípula de Lady Gaga, mas consegui.
Enfim, deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz – ops, quer dizer, o cabelo.

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